segunda-feira, 30 de abril de 2007

A madeira para um Habitat Cidadão

Usar madeira na construção é lutar contra o efeito estufa

Uma tonelada de madeira representa, dependendo da espécie e da densidade da madeira, de 250 Kgs à 1,0 tonelada de gás Carbônico (CO2) absorvido pelas árvores. Ora, são as árvores jovens, em pleno crescimento, que consomem mais gás carbônico (CO2) e liberam Oxigênio (O2)*. Assim, quando se extrai das florestas não as novas, mas aquelas que chegaram à maturidade e se utiliza essa madeira em construções perenes, duplica-se a eficiência da cadeia de CO2 criada pela fotossíntese. É por isso que, de acordo com os compromissos da França no protocolo de Kyoto, o Governo e os profissionais que trabalham com madeira fixaram um objetivo de aumentar em 25% o uso da madeira na construção, até o ano de 2010.

*Texto corrigido pelo prof. Carlos Alberto Szücs (UFSC)

Construir com madeira é participar da vida da floresta

A vitalidade da floresta - sua capacidade de se renovar – é favorecida pelas extrações de madeiras provenientes de uma seleção de árvores maduras e pelos cortes daquelas pouco desenvolvidas que liberam o espaço necessário para o crescimento das mais belas entre as jovens. Estas práticas fazem parte há dois séculos de um contexto de gestão sustentável das florestas. Dentro de um quadro de 75% privadas e 25% públicas, nossas florestas são efetivamente submetidas a uma regulamentação especifica, fruto da da vontade firme do Governo de assegurar o futuro do patrimônio florestal. Diferentes órgãos – Office National dês Forêts, Centres Régionaux de la Propriété Forestiére, Inventarie Forestier Nacional, Instituit pour lê Developpement Forestier – acompanham assim os proprietários na gestão de seu patrimônio e na produção de madeira. E mais de 40.000 profissionais contribuem diariamente para preservar e conservar a vitalidade da floresta. Ora, é a venda da madeira, na França e na Europa, que constitui a base dos recursos necessários para este trabalho de manutenção.

Construir com madeira é utilizar um recurso em grande crescimento

Contrariamente às idéias que se propagam, a floresta ganha terreno em toda a Europa. Desde a Antiguidade, ela sofre efetivamente um desbravamento intensivo: conquista de terras cultiváveis, construção de frotas navais..., mas a partir do século XIX, com a modernização da agricultura e surgimento de novas fontes de energia, as pressões sobre a floresta cessaram. E assim a floresta francesa mais do que dobrou sua área em dois séculos. Atualmente, ela continua a crescer. Desde 1950, suas reservas florestais passaram de 12 para 16 milhões de hectares e as extrações de madeira representam apenas dois terços do crescimento anual da madeira antes do corte.

Construir com madeira é optar pela qualidade do meio ambiente em todos os aspectos

A primeira qualidade, ou pelo menos a mais visível, o habitat em madeira preserva a beleza de uma região selvagem ou de um espaço rural e serve para realçar a beleza que existe numa paisagem urbana ou torná-la mais harmoniosa. Atende ainda a outras exigências. A madeira não apenas absorve o CO2, mas, por sua baixa inércia térmica, permite o aquecimento, trazendo as conseqüentes economias de energia.
Outra vantagem, um canteiro de obra em madeira – “filão seco” diferentemente do concreto que precisa de água – é um canteiro rápido e limpo.
Quer se trate de preservar a beleza do ambiente ou os recursos naturais, o uso da madeira atende a estes dois imperativos.

Natural e rapidamente renovável, a madeira é o material do século XXI

Natural e tecnológica, bela e criativa, a madeira dá sua dimensão humana à arquitetura

A madeira é fator de harmonia na paisagem

O habitat em madeira embeleza a cidade e se funde maravilhosamente com a natureza.
No meio de prados, em área comercial ou numa rua, um edifício em madeira, mesmo sem toque estético, mesmo que se trate de um abrigo, não ferirá seu olhar. Com outros materiais, pode acontecer que as construções desfigurem um bairro, um subúrbio, um centro histórico, um litoral... Mas a madeira, por sua “natureza” viva e sensual, permanece sempre em harmonia com o ambiente, qualquer que seja forma arquitetônica que se dê a ela.
Tradicional ou contemporânea, a arquitetura em madeira se integra a todos os estilos do espaço urbano. O habitat em madeira não se restringe, evidentemente, ao chalé suíço ou às casas com madeiramento aparente. O desenvolvimento das tecnologias de madeira propicia o desenvolvimento de uma estética contemporânea. Vários arquitetos, sensíveis à dimensão humana do material, criaram então um novo “urbanismo de madeira”.
Nas construções em concreto, vidro e aço, eles também a utilizam com prazer. Não apenas se coaduna com todos os outros materiais, mas é ela que muitas vezes faz a ligação estética entre os elementos formais. Quer seja a construção de algo novo ou uma reforma, as montagens de locais para a comunidade ou a ampliação harmoniosa de um habitat antigo, quer se pense na conciliação de construções dispares ou humanizar um conjunto imobiliário de materiais austeros e proporções agressivas – a madeira é sempre o elemento de integração de beleza.

A madeira se adapta a tudo

A madeira tem afinidade particular com os locais difíceis. Quando se gosta de um lugar que parece não comportar nenhuma construção – terreno de difícil acesso ou muito inclinado, um pedaço exíguo como um “pico” urbano... – a madeira é a solução: flexível e segura, espantosamente modular. Pode-se na realidade construir com madeira em todos os tipos de terreno: úmidos, acidentados ou pouco portantes. A técnica da casa sobre pilotis, em cima de uma encosta ou de uma superfície de água, representa uma das melhores soluções de construção. Além disso, como uma casa de madeira pesa cinco vezes menos do que uma construção em alvenaria, suas fundações são necessariamente mais leves, o que constitui uma vantagem incontestável em relação a terrenos pouco portantes como os arenosos, em praias.
A madeira gosta das margens. Mesmo na beira de rios, a umidade do ambiente não modifica a madeira, uma vez que se intercale sempre entre as fundações e a madeira um tipo de material “barreira” contra a subida da umidade por capilaridade – e isto para qualquer tipo de terreno. Quanto ao comportamento da madeira na água, este é excepcional: o mar corrói as peças de aço inox, mas não a madeira. Os pilotis sobre os quais Veneza foi construída são uma prova desse fato.
A madeira desafia os séculos, mesmo em áreas sísmicas. Menos pesada e mais flexível que a casa de alvenaria, a casa em madeira responde melhor a eventuais movimentos do terreno. Se ela foi planejada e construída com cuidado, se mostrará extremamente segura durante e após um abalo sísmico.
Lembremos que a Califórnia se destaca tanto por suas casas em madeira como por seus tremores de terra quotidianos e que no Japão, em regiões onde acontece o fenômeno, os templos em madeira continuam de pé há treze séculos.

A madeira é criativa

Sensual e tecnológica simultaneamente, a madeira abre um leque formal ilimitado. Por sua elasticidade e sua capacidade de sustentação elevada diante de seu peso baixo, pelas técnicas de laminado-colado e de madeira maciça recuperada, graças as quais atinge usos antes apenas reservados ao aço, a madeira se submete a todos os formatos. Com um trunfo extraordinário frente os outros materiais: sua beleza natural se acentua com o passar do tempo. E como ela é bela em si como também associada a outros materiais, vem enriquecer as superfícies arquitetônicas num jogo de alternâncias do polimento frio à textura quente.
Uma estrutura em madeira se presta a várias interpretações na fachada. Patinada pelo sol ou pintada, a madeira oferece total liberdade. O revestimento em estado natural ficará com uma cor prata envelhecido.... Mas não há apenas o revestimento para cobrir uma construção em madeira: tudo é considerado, o tijolo, a placa asfáltica, as fibras de cimento coloridas, as placas de estratificados, os sanduíches isolantes com placa de aço nervurada, a pedra e a pedra reconstituída, as placas de cerâmica, a ardósia ou a terracota.

Eng. Alan Dias
Baseado em textos do Comitê Nacional para o Desenvolvimento da Madeira
www.bois-construction.org

Um comentário:

carlos disse...

Parabéns!
Belo texto com ótimos argumentos.

Arq. Carlos Ferrari