quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Fim do BLOG, começo de um novo ciclo!


Caros amigos, depois de 10 anos publicando notícias sobre Estruturas de Madeira aqui no nosso BLOG, este ciclo chega ao fim.

Foram diversos posts e comentários interessantes de vocês e ao mesmo tempo a CARPINTERIA foi crescendo juntamente com este blog.

Aqui pude escrever, debater, contar histórias e novidades sobre o mundo da madeira e creio que foi fonte de inspiração para muitos de vocês, que puderam também conhecer um pouco mais sobre nós e sobre este material que tanto amamos.

Este será o último post desse BLOG, ficando sua história escrita aqui pra sempre.

As notícias sobre ESTRUTURAS DE MADEIRA e novidades vão continuar diretamente no nosso site.

Acessem : www.carpinteria.com.br

Um grande abraço à todos e FELIZ 2019!

Eng. Alan Dias

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Estruturas de Madeira em Vancouver

Tem vídeo novo no canal do Youtube!

A Carpinteria realizou uma visita nas construções em madeira da cidade de Vancouver, Canadá. A visita foi guiada pelo engenheiro Eric Karsh, da Equilibrium Consulting.

CLIQUE AQUI : https://youtu.be/WemAdR9Y3cU


Aeroporto de YVR - 0:35
North Vancouver City Hall - 1:00
Casa Hadaway - 2:11
BC Passive House - 2:30
Audain Art Museum - 3:33
O' Syiam Pavillion - 4:00
Craft Beer Market - 4:45
Richmond Olympic Arena - 5:08
SkyTrain Millenium Line - 7:45
Granville Island Public Market - 9:41
Telus Garden - 10:41
Michael Green - 11:24
Wesbrook Community Centre - 11:32
Forestry Wood Science Building - 12:14
UBC Training Center - 12:53
CIRS - 13:28
Earths Sciences Building - 14:02
FPInnovations - 15:47
Brock Commons - 16:08

http://www.carpinteria.com.br
http://www.eqcanada.com

Eng. Alan Dias

domingo, 8 de abril de 2018

Dossiê da Madeira Laminada Colada Cruzada (CLT) : Produção e Desenvolvimento

Texto : Eng. Alan Dias – Carpinteria Estruturas de Madeira

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CLT Brasileiro de Pinus – Produzido pela CG CROSSLAM BRASIL

INTRODUÇÃO

A Madeira Laminada Colada Cruzada – Cross Laminated Timber (CLT) vem se transformando num material conhecido no mundo inteiro, e sendo conhecido como um material muito versátil pra construção civil. De fato, a produção de CLT no mundo vêm crescendo progressivamente nos últimos 10 anos, e aos poucos está substituindo a construção que antes era feita apenas com materiais minerais. Tudo isso graças à sua estrutura colada em lamelas dispostas à 90 graus, o que faz com que os painéis possuam alta resistência.

A tecnologia do CLT foi desenvolvida na Europa no início da década de 1990, onde se tornou um material bastante utilizado. Na Europa o CLT concorre de igual pra igual com sucesso contra o concreto armado, aço e tijolos num segmento de mercado específico de edifícios multifamiliares. A definição do CLT pela ANSI (Norma Americana) é a seguinte : “O CLT é um produto de madeira engenheirada pré-fabricada feito de pelo menos 3 camadas ortogonais de madeira laminada serrada que são coladas com adesivos estruturais para formar um sólido retangular, moldado para aplicações em telhados, pisos ou paredes.” Os painéis de CLT são pré-fabricados já com aberturas para portas, janelas e dutos cortados com alta precisão por roteadores em CNC. Depois de prontos, os painéis são transportados para o canteiro de obras e montados com guindastes e uma pequena equipe de construção. As paredes e os pisos são unidos usando conectores de metal. Camadas de isolamento podem ser adicionadas aos painéis nas paredes e tetos, ou as superfícies podem ser deixadas à mostra para aproveitar o calor e a estética da madeira. A atratividade do CLT como um sistema de construção se deve ao fato da alta velocidade de montagem que o sistema proporciona, resultando em economias consideráveis em mão-de-obra e mínima perturbação nos arredores locais. Além disso, parte da atenção dada ao CLT se deve ao uso potencial em edifícios altos, a partir de 8 – 12 andares. Alguns deles já foram construídos pelo mundo e edifícios ainda mais altos estão por vir.

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Residência em CLT produzida pela CG CROSSLAM BRASIL

PRODUÇÃO GLOBAL DE CLT

Desde a sua introdução no mercado no início doa anos 90, a produção de CLT cresceu rapidamente. A maioria das estimativas coloca a produção anual global de CLT em mais de 600.000 m3 para o ano de 2014, número que deverá ultrapassar um milhão de m3 em 2018, quando operações na Finlândia, Letônia, Japão e EUA estiverem em operação total. As estimativas globais estimam que em 10 anos a produção global do CLT deve atingir 3 milhões de m3, com a maior parte do crescimento previsto pra ocorrer fora da Europa, inclusive no Brasil. A figura abaixo mostra o volume de produção de CLT segundo especialistas:

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Crescimento do CLT em m3 ao longo dos anos (Fonte : Plackner 2014)

HISTÓRIA DO CLT

A ideia dessa placa larga e robusta de madeira, que também é conhecida como “X-LAM” ou em alemão “BRETTSPERRHOLZ (BSP)” é a princípio não muito nova. A sua estrutura básica é comparável à placas já existentes de compensados, por exemplo. A colagem de painéis de madeira faz com que se minimize os efeitos de retração e se tenha uma maior estabilidade dimensional. Portanto, o único avanço tecnológico que o CLT trouxe foi a capacidade de se produzir painéis colados de grandes dimensões e espessuras, o que faz do produto único e versátil.

O desenvolvimento do CLT no início dos anos 90 foi motivado pela necessidade da indústria madeireira em agregar valor à placas de madeira serrada. As dimensões das placas de CLT e a aplicação na engenharia fez com que o produto se tornasse uma opção real, num mercado que há mais de 100 anos era dominado por materiais minerais. Em termos de arquitetura e engenharia, as placas de CLT trouxeram uma nova visão de projeto que passou a ser pensar em planos e volumes, ao invés de apenas linhas.

O termo “Brettsperrholz” foi usado pela primeira vez em 1981 pelos engenheiros alemães Dröge e Stoy, para designar painéis colados cruzados para pontes. Foi traduzido para o inglês “Cross Laminated Timber” por Schickhofer e Hasewend em 2000. Porém, existem estudos de que placas de madeira laminada colada cruzada já tinham sido estudadas no início do século 19, mais precisamente em 1908 por Schuchow e Kalep. O registro da primeira estrutura em CLT no mundo, uma pequena residência, se deu em 1993 feita por Schuler e Guyer. O CLT como conhecemos hoje, de forma engenheirada, teve sua primeira construção, também residencial em 1995, feita por Moser.

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Teste de Flexão da placa de CLT

A Tecnologia do CLT teve seu desenvolvimento inicial primeiramente na Alemanha, Áustria e Suíça e teve sua aplicação em pequena escala no início e de 10 anos pra cá numa escala industrial. A normatização do CLT na Europa começou a ser implantada em 1998 e foi aceita em 2008. A norma que regulamenta a produção de CLT (EN 16351) foi lançada em 2014 e agora o CLT deve entrar na norma de madeira da Europa, o Eurocode 5.

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Teste de Flexão da placa de CLT

VANTAGENS DO CLT

Além das suas óbvias características sustentáveis devido ao uso da madeira como material básico, existem muitas outras vantagens do uso do CLT em comparação à outros produtos.

As principais vantagens do painel de CLT são praticamente o incomparável grau de pré-fabricação das placas na fábrica, a construção limpa e seca na obra e o tempo de montagem mínimo com poucos trabalhadores.

Produção e Pré-fabricação

A pré-produção das placas de CLT na indústria não é afetada pelas condições climáticas. Faça chuva ou faça sol, a produção de CLT não para. A madeira é colada seca e portanto não vai trazer umidade pra obra. Como a contração e a retração da madeira é muito menor no sentido perperdicular às fibras do que nos sentidos radial e tangencial, as placas de CLT tem uma estabilidade ímpar devido à sua colagem em 2 direções. Além disso, as placas de CLT podem ser 100% usinadas numa router em CNC controlada por softwares CAD/CAM com uma precisão milimétrica.

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Peças usinada na CNC de 5 eixos da CG CROSSLAM BRASIL

Resistência

Permite que a madeira seja usada em prédios nunca vistos antes, como por exemplo os de 30 andares. A laminação cruzada cria propriedades de resistência perfeitamente uniformes, como aço e concreto. Cria novas possibilidades em balanços e suporte de carga. Devido às suas incríveis propriedades de resistência, o CLT pode ser utilizado em aplicações como arranha-céus para os quais a madeira nunca foi adequada. As propriedades de alta resistência têm mais benefícios do que apenas serem capazes de construir mais alto e fazer vãos livres maiores, elas são evidentes em todas as outras vantagens surpreendentes do CLT. Qualquer fragilidade individual na lâmina de madeira é anulada pela colagem cruzada com outras peças até que haja um único painel de madeira com propriedades de resistência uniforme mais próximas do concreto armado que da madeira original. Por último, balanços, vãos livres e cargas podem ser projetados em qualquer direção, em vez de apenas um, oferecendo novas possibilidades de design.

Fogo

O desempenho de incêndio do CLT é melhor do que qualquer outro sistema de construção de madeira, concreto ou aço. A baixa área de superfície e o ambiente hermético, em comparação com a construção de madeira padrão, também ajudam a inibir o crescimento de incêndio em um espaço contido, limitando o combustível disponível. Mesmo um painel instalado normalmente sem revestimento algum não permite que o fogo queime livremente, pois encapsula a chama em uma única área, sufocando-a. Outro grande atributo é a massa térmica sólida. Isso permite que um lado do painel esteja próximo de 1000 graus Celsius, enquanto o outro lado está na temperatura ambiente.

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Placa de CLT submetida ao teste de carbonização

Sísmica

Combinação de força, ductilidade e peso leve formam o sistema ideal à prova de terremotos. Testes de tabela de vibração de até 7 andares provam que os edifícios de CLT têm excelente desempenho. Nenhuma perda de vida ou dano estrutural, mesmo contra os terremotos mais fortes. O CLT é imensamente forte, dúctil e leve. Os atributos perfeitos para um sistema de construção à prova de terremotos. Testes sísmicos provam que os edifícios de CLT podem lidar com os terremotos mais fortes do mundo, sem perda de vida ou danos estruturais. As propriedades de alta resistência ao peso diminuem as forças sísmicas que atuam contra a estrutura, tornando esses edifícios extremamente seguros, ao mesmo tempo em que permitem fundações menores. Um edifício de 7 andares de CLT foi vibrado pela maior mesa de testes de terremoto do mundo no Japão em 10 terremotos de graus distintos e sobreviveu perfeitamente intacto. Os andares de CLT em um arranjo teórico de 24 andares mostraram reduzir a carga sísmica em 50% em comparação com o concreto armado.

Acústico e Vibração

Painéis de madeira massiva dão excelente isolamento acústico. O design de vibração pode satisfazer os códigos de construção mais rigorosos. O processo de construção é quase silencioso, perfeito para projetos urbanos. Ao substituir as paredes internas, a madeira massiva proporciona uma grande melhoria no desempenho acústico. A construção do CLT dá à casa um recinto hermético de elementos de massa sólida, e com o design adequado pode satisfazer as mais rigorosas classificações acústicas, mesmo em edifícios residenciais de vários andares.

Isolamento térmico

Sistema de construção ideal para casas passivas - que não exigem sistemas de aquecimento. Pode capturar 90% do ar aquecido que escapa das casas normais. Alta massa térmica de madeira mantém a casa quente no inverno e fresco no verão. O CLT é perfeitamente adequado para projetos “passivhaus” (casas passivas) que são tão eficientes em isolar uma casa que eles não precisam de nenhum sistema de aquecimento. O ambiente hermético não permite que o calor saia por rachaduras, enquanto a casa normal tem rachaduras que somam o tamanho de uma bola de basquete. A alta massa térmica da madeira também ajuda a manter a temperatura interior estável durante todo o dia – quente de dia, fresca à noite.

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Montagem de laje em CLT pela CARPINTERIA ESTRUTURAS DE MADEIRA

Durabilidade

Com design e manutenção adequados, as estruturas de madeira podem proporcionar uma vida útil longa e equivalente a outros materiais de construção. A chave é o planejamento cuidadoso e a compreensão das cargas ambientais e outros fatores externos que podem impactar em um edifício durante sua vida útil.

Gerenciamento de Umidade e Difusão de Vapor

A madeira é naturalmente higroscópica, servindo como um sistema de gerenciamento de umidade dentro de um envelope de construção. Idealmente fabricado com 12% de umidade, a capacidade da madeira de absorver e emitir umidade pode naturalmente estabilizar um ambiente interno. Os edifícios de CLT "respiram", minimizando o risco de crescimento de mofo e maximizando o conforto de seus ocupantes.

Ambiental

A madeira é o único material de construção importante que cresce naturalmente e é renovável. Estudos mostram consistentemente que a madeira supera o aço e o concreto em termos de energia incorporada, poluição do ar e poluição da água. O CLT também tem uma pegada de carbono mais leve, uma vez que os produtos de madeira continuam a armazenar carbono absorvido pelas árvores durante o crescimento, e a fabricação de madeira engenheirada requer significativamente menos energia para produzir do que concreto e aço.

Ambiente interno saudável

Os únicos constituintes de um sistema de construção em CLT são a madeira e um adesivo não-tóxico. Os materiais de construção do CLT não introduzem nenhuma toxina no ambiente interno, proporcionando uma qualidade limpa do ar interno. Os sistemas de parede CLT são naturalmente respiráveis. Integrado com sistemas mecânicos apropriados, isso cria um ambiente interno saudável que maximiza o conforto e a saúde dos ocupantes.

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Montagem de estrutura em CLT pela CARPINTERIA ESTRUTURAS DE MADEIRA

Análise do Ciclo de Vida

A longevidade dos componentes do CLT garante que o valor futuro de qualquer estrutura permaneça alto. Os edifícios em CLT são facilmente alterados e remodelados e também são totalmente recicláveis ​​quando chegam ao fim de sua vida útil.

Efetividade de custo

Comparando o custo do CLT com certos tipos de construção de concreto, alvenaria e aço e incluindo as vantagens de tempo de construção mais rápido e menores custos de fundação, os custos totais estimados de estruturas em CLT estão se mostrando muito competitivos.

Flexibilidade de projeto

O CLT possui propriedades estruturais exclusivas que proporcionam maior flexibilidade de projeto, permitindo projetos diferenciados e inovadores. Devido à ductilidade inerente da madeira e à relação resistência-peso, a madeira oferece muitas vantagens em relação aos outros materiais estruturais comuns, como alvenaria, concreto e aço.

Velocidade de Construção

De construtores de uma só pessoa a grandes empresas de construção, os sistemas estruturais da CLT chegam ao local prontos para serem montados, economizando tempo e dinheiro com um processo de construção rápido e preciso.

Resíduos Reduzidos

Os painéis CLT são fabricados para aplicações específicas de uso final, o que resulta em pouco ou nenhum desperdício no local de trabalho. Além disso, os fabricantes podem reutilizar aparas de fabricação para escadas e outros elementos arquitetônicos.

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Princípio básico de colagem das placas

FABRICAÇÃO E TECNOLOCIA DO CLT

a) Material Básico – Madeira Serrada : Geralmente, as placas de CLT são formadas por peças prismáticas de madeira serrada com espessuras que variam de 12-45mm e larguras que variam de 40-300mm. Na Europa a norma estabelece lâminas de espessura 20, 30 e 40mm. Devido às tensões de cisalhamento entre as lâminas, a norma estabelece que a largura das tábuas seja maior ou igual à 4 vezes a espessura, adotando como padrão lâminas de 150mm de largura. As peças de madeira devem ter a umidade controlada que varia de 10-14% de umidade para a colagem.

b) Colagem de topo com “finger-joints” : Para o CLT o finger-joint pode variar de um comprimento de 15-20mm. Colagens com finger-joints de comprimento superior à 20mm devem ser estudados caso a caso pois podem reduzir a resistência quando a placa é submetida à momentos fletores. A posição dos finger-joints podem ser tanto transversais como longitudinais. A diferença é apenas estética. Para os finger-joints recomenda-se o uso de adesivos como o MUF (Melamina-Ureia-Formol), o PUR (Poliuretano Monocomponente) ou o EPI (Emulsificante-Polimero-Isocianato).

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Finger-joints transversais e lingitudinais

c) Aplicação do adesivo nas faces das lâminas : De forma geral os adesivos são aplicados com aplicadores de adesivos que regulam a quantidade de produto que será aplicado nas faces de colagem. Eles podem ser aplicados em cada lamela de madeira individualmente, normalmente correndo numa esteira rolante ou diretamente na mesa de prensagem sobre as lamelas já dispostas lado à lado.

d) Prensagem do CLT : A prensagem dos painéis de CLT podem ser feitas de 3 formas. A primeira forma é o uso da prensa hidráulica, a segunda é o uso da prensa à vácuo e a terceira (menos utilizada) é a ligação das lâminas através de parafusos, pregos e sargentos. Dependendo do equipamento, a pressão de colagem pode chegar até  0,10-1,0 N/mm2 (1,0-10,0 Kgf/cm2) ou até pressões maiores podem ser atingidas com prensas hidráulicas. Prensas à vácuo trabalham numa faixa de 0,05-0,10 N/mm2 (0,5-1,0 Kgf/cm2). A equação para definir a pressão ideal para o CLT pode ser definida como uma função do adesivo utilizado, espécie de madeira, geometria das lâminas, sistema de aplicação do adesivo e quantidade de adesivo aplicado.

A pressão mínima de colagem para os adesivos tipo PUR, por exemplo, é estabelecida entre 0,01-0,10 N/mm2 (0,1-1,0 Kgf/cm2) – perfeito para prensas à vácuo. Já para adesivos à base de Malamina (MUF), a pressão mínima deveria ficar entre (!) 1,40-2,00 N/mm2 (14,0-20,0 Kgf/cm2), demasiada alta.

Além da pressão mínima, é claro que existe também a pressão máxima. Através de ensaios em laboratórios foi descoberto que pressões muito altas no CLT podem danificar o adesivo e esmagar as estruturas celulares da madeira. Por isso no caso de CLTs de madeiras do tipo coníferas a pressão máxima é restringida à 1,0 N/mm2 (10,0 Kgf/cm2). Seguindo a norma de Madeira Laminada Colada Européia (EN386), para lâminas de até 35mm de espessura recomenda-se a pressão máxima de colagem de 0,60 N/mm2 (6,0 Kgf/cm2). Acima de 35mm recomenda-se a pressão máxima de 0,80 N/mm2 (8,0 Kgf/cm2).

Portanto, constatou-se que ao usar o adesivo tipo PUR na fabricação de placas CLT a aplicação de pressões relativamente baixas, é totalmente satisfatória. Estudos demonstraram que pressões de colagem acima de 0,1 N/mm2 (1,0 Kgf/cm2) não melhoram significativamente a colagem, havendo pouca ou nenhuma diferença no desempenho estrutural das placas.

e) Acabamento das placas : Depois da prensagem as placas de CLT são requadradas nas bordas. Pode-se futuramente aplicar placas de OSB, gesso ou cimentíceas sobre as placas de CLT.

f) Cortes em CNC : Assim que as placas são requadradas, faz-se os cortes, encaixes, furos e usinagens das placas CLT numa router CNC ou manualmente.

TIPOS DE PRENSAS DE CLT

a) Prensas hidráulicas : Através de prensas hidráulicas é possível conseguir praticamente qualquer valor de pressão de colagem das lâminas. As prensas hidráulicas existentes hoje em dia conseguem atingir o máximo de 1,5 N/mm2 (15,0 Kgf/cm2), o que faz com que sejam capazes de colar lâminas de espessuras maiores e também utilizar madeiras mais duras.

A grande vantagem das prensas hidráulicas é a flexibilidade de automação do processo de colagem, tanto antes como durante e após a prensagem. Isso engloba o posicionamento das lâminas, alinhamento, aplicação do adesivo, a entrada e saída das camadas, a aplicação de pressão em determinados pontos e a prensagem em si. Porém, essas prensas, ao contrário das prensas à vácuo, não são capazes de produzir peças curvas ou outras formas. Além disso, em consequência da prensagem estritamente paralela não é possível corrigir falhas e desvios de espessuras das lâminas, o que é conseguido apenas nas prensas à vácuo.

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Prensa pneumática para CLT

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Prensa hidráulica para CLT

b) Prensas à vácuo : As prensas à vácuo tem a capacidade de prensagem que podem ir de 0,05-0,1 N/mm2 (0,5-1,0 Kgf/cm2). Devido à limitação de pressão de colagem, há uma limitação no uso de adesivo e espécies de madeira a serem coladas. Recomenda-se o uso do adesivo de PUR e madeiras coníferas leves. Além disso há uma restrição à espessura das lâminas, limitada à 40mm.

A vantagem das prensas à vácuo é que são mais econômicas que as prensas hidráulicas e atendem bem à uma produção média de 2000-5000 m3 de produção por ano. O processo em geral é semi-mecânico. As camadas de madeira são acondicionadas manualmente na mesa e o adesivo é aplicado mecanicamente. Também é possível comprimir lateralmente as placas aplicando uma pressão mecânica lateral antes de aplicar o vácuo com uma lona de borracha sintética. O sistema à vácuo garante uma pressão 100% uniforme em toda a área e aceita pequenos desvios de espessura das peças, já que a lona é flexível. Também pode-se usar o sistema pra fazer placas curvas.

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Prensa à vácuo de CLT

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Prensa à vácuo da CG CROSSLAM BRASIL

c) Prensagem com sargentos, pregos e parafusos : Também é possível fabricar as placas de CLT sem nenhum grande equipamento industrial através de sargentos manuais e aplicação de pregos e parafusos nas lâminas durante a colagem.

A única vantagem desse sistema é que ele é de baixo custo.

PROJETANDO EM CLT

No Brasil ainda não existem normas específicas para o cálculo estrutural dos painéis em CLT. Portanto, recomenda-se o uso da norma Européia ou Canadense.

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Fábrica da CG CROSSLAM BRASIL

Estado Limite Último (ULS) :

Para o Estado Limite Último (ULS) existem dois casos de carga. O primeiro são as cargas ditas “fora do plano”, que são cargas em paredes ou em paredes diafragma. A direção das lâminas devem ser tomadas em conta nos parâmetros de cálculo de resistência e cargas. Devido à inevitáveis pequenos espaçamentos entre as lâminas das placas de CLT, não se considera transferência de esforços entre elas no eixo transversal (tensão e compressão perpendicular às fibras). O segundo caso são as cargas ditas “no plano” na placa, normalmente quando usadas como lajes. Os parâmetros de tensão, compressão, flexão e cisalhamento devem ser considerados no cálculo.

Resistência ao fogo :

Para o cálculo de resistência ao fogo das placas de CLT a norma européia estabelece uma taxa de carbonização das placas da seguinte maneira :

β = 0,65 mm/min, no caso de CLT com lâminas com menos de 2mm de espaçamento entre elas.

β = 0,80 mm/min, no caso de CLT com lâminas com espaçamentos entre 2mm à no máximo 6mm entre elas.

Estado Limite de Serviço (SLS) :

De fato os elementos de CLT são raramente governados pelo ULS (ruptura e fogo), normalmente o que delimita o cálculo é o SLS (deformação e vibração). O cisalhamento horizontal entre as lâminas das placas de CLT deve ser considerado no cálculo da matriz de rigidez equivalente da placa. Para a verificação da deformação deve-se considerar também as deformações à longo prazo (fluência) decorrentes das classes de serviços utilizadas.

Vibrações :

Normalmente placas com vão livre acima de 4m devem ser calculadas as resistências à vibrações. Primeiramente calcula-se a frequência natural da placa, o critério de rigidez e a vibração acelerada. Frequentemente pode-se ignorar este cálculo para lajes com camadas superficiais anti-impacto.

Aberturas :

Nos cálculos devem ser considerados também as aberturas de janelas e portas no caso de paredes, ou furos em lajes.

Ligações :

As ligações entre as placas de CLT podem ser feitas com a utilização de parafusos auto-atarrachantes de rosca inteira ou meia rosca ou conectores de metal angulados (fixados com pregos ou parafusos). Atualmente existe um conector chamado X-RAD da Rothoblaas que faz a união de placas em CLT.

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Software RFEM da Dlubal para cálculo de estruturas em CLT

CONCLUSÕES

Considerando o crescimento exponencial do uso do CLT no mundo, principalmente no Canadá, EUA e Japão e inclusive no Brasil é necessária uma normatização mundial das placas de CLT, englobando produção, testes em laboratório, design, cálculo, detalhamento, ligações e execução.

O uso de madeira de Pinus no caso do CLT brasileiro é bem vindo e é atualmente a madeira ideal para a fabricação do CLT por aqui. Ainda faltam estudos mundiais de CLT com madeiras mais densas e com placas de CLT utilizando madeiras de espécies diferentes.

Sobretudo o CLT não veio apenas pra revolucionar a indústria da construção em madeira e sim para revolucionar toda uma indústria de construção mundial, que não mudava há mais de 100 anos. Atualmente o potencial do CLT pode ser visto em edifícios de múltiplos andares pelo mundo. De qualquer forma é essencial que as particularidades da madeira devem ser levadas em conta como por exemplo a vulnerabilidade à umidade. Consequentemente os detalhamentos que previnem a estrutura de ficar exposta devem ser obrigatórios e regulamentados.

Quando se projeta em CLT é necessário levar em conta a estrutura como um todo e não apenas peças individuais. Para tal já existem softwares para o cálculo de estruturas em CLT como o RFEM da Dlubal, o qual a empresa Carpinteria Estruturas de Madeira  já utiliza para o design.

O CLT não concorre de fato com o sistema linear pilar-viga já conhecido pelas estruturas de madeira e sim concorre diretamente com materiais de base mineral como o concreto-armado e o aço. Isso devido ao fato que pode-se sempre utilizar espécies locais para a sua fabricação, de forma sustentável, beneficiando diversas regiões pelo mundo. Inclusive no Brasil.

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Montagem de estrutura em CLT pela CARPINTERIA ESTRUTURAS DE MADEIRA

Referências :
- Cross Laminated Timber (CLT) – Overview and Development – Brandner, Flatsher, Ringhofer, Schickhofer, Thiel;
- Production and Technologi of Cross Laminated Timber – A state of the art Report – Jour Brandner;
- Documentation on Vacuum Press – Woodtech – Fankhauser GmbH
- Site da CROSSLAM BRASIL : www.crosslam.com.br






domingo, 14 de janeiro de 2018

Foster + Partners–Hotel Emiliano Paraty

Em meados de 2010, fomos convidados para fazer uma consultoria num resort em Paraty para o Hotel Emiliano. Os clientes queriam implantar um grande hotel, com a marca Emiliano numa região linda do litoral brasileiro.

Assim, o grupo de investidores contratou o renomado arquiteto inglês "Sir" Norman Foster e sua equipe pra fazer o projeto arquitetônico de todo o empreendimento.

"Luxo em meio à mata" por Alessandra Medina

"O inglês Norman Foster tornou-se um mito da arquitetura contemporânea ao desenhar obras como a enorme cúpula de vidro do Parlamento alemão, em Berlim, o novo aeroporto de Pequim e a torre Swiss Re, no centro de Londres, também chamada de The Gherkin (O Pepino) pelos britânicos. Se os planos do empresário Carlos Alberto Filgueiras vingarem, em breve as linhas curvas e surpreendentes de Foster estarão enfeitando um trecho paradisíaco do litoral fluminense. Dono do Hotel Emiliano, um dos mais luxuosos de São Paulo, ele encomendou a Foster o projeto de um resort a ser erguido em Paraty, mais precisamente na paradisíaca região de Paraty-Mirim, em meio à Mata Atlântica, a 17 quilômetros do centro histórico. Ao contrário da unidade paulistana, de estilo arrojado e decoração com peças de design contemporâneo, a filial praiana oferecerá um ambiente rústico, com madeiras brasileiras revestindo tetos, paredes e pisos. No estudo estão previstos 33 apartamentos, treze bangalôs e uma área comum batizada de beach club, com sala de estar, restaurante, bar, cinema, biblioteca e salão de jogos. Numa segunda fase, deverão ser construídos mais vinte bangalôs.

A instalação de um hotel de luxo em Paraty é uma boa notícia, principalmente por se tratar de uma região de alto potencial turístico, mas com uma esquálida oferta de hospedagem. O principal motivo para esse descompasso são as restrições a construção tanto na parte histórica, que é tombada, quanto nas praias mais selvagens, protegidas por leis de preservação ambiental. Quem pretende se instalar por lá precisa estar preparado para enfrentar um emaranhado de restrições. O Grupo Txai Resorts, dono de um hotel em Itacaré, no litoral sul da Bahia, tenta sem sucesso aprovar um projeto na região há um ano e meio. Da mesma forma, a família do navegador Amyr Klink, proprietária de um grande terreno próximo ao centro da cidade, já viu duas propostas para erguer um resort e um condomínio ser rejeitadas. Apesar de os primeiros esboços feitos por Foster já estarem prontos, o Grupo Emiliano, por enquanto, solicitou apenas a certidão de zoneamento, um documento que esclarece as atividades permitidas na área prevista para a obra. Para conseguir a autorização de construção, terá de cumprir uma via-crúcis que prevê a apresentação detalhada do projeto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Paraty e também a autorização do Ibama para a obra. Como se vê, a estrada para o paraíso é longa e acidentada." - Revista Veja Rio.

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Com o andamento do projeto fomos convidados à visitar a sede da Foster + Partners em Londres pra acompanhar de perto e tirar dúvidas sobre a estrutura de madeira que estavam projetando. Com isso marcamos uma reunião com a equipe do projeto na sede londrina, precisamente às 15:00hs.

Chegamos em Londres 2 dias antes pra podermos descobrir como chegar na sede da Foster + Partners sem erro algum e tudo parecia bem. Acontece que no dia da reunião não conseguimos agendar um táxi (era 2010 e não existia Uber!) e então resolvemos ir de transporte público. Isso nos fez chegar 10 minutos atrasados à reunião, o que nos parecia uma situação inconcebível à "famosa" pontualidade inglesa. Felizmente a reunião ainda não havia começado e pudemos respirar aliviados!

Discutimos as curvas do projeto e como seriam as situações de ligações e encaixes das peças de madeira. Tudo correu muito bem, e ainda tivemos a oportunidade de "passear" pelo escritório onde trabalham mais de 200 arquitetos do mundo todo. Foi a primeira vez que vimos uma sala totalmente dedicada à uma CNC que fazia maquetes dos projetos do Foster. Infelizmente o "Sir" Norman não estava lá e não pudemos ter o prazer de conhecê-lo pessoalmente.

O projeto foi descontinuado pelo grupo Emiliano, então não foi desta vez que a Foster + Partners colocou sua assinatura num projeto aqui no Brasil.

Eng. Alan Dias

“Dono do hotel Emiliano tinha projeto de resort de luxo em Paraty” – Via Portal Dinheirices (https://dinheirices.com.br/2017/01/20/dono-do-hotel-emiliano-tinha-projeto-de-resort-de-luxo-em-paraty/)

“O empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, que morreu ontem no acidente de avião em Paraty (RJ) com o ministro do STF Teori Zavascki , por muitos anos acalentou os planos de implantar um resort de luxo sustentável na região em que acabou perdendo a vida.

Em 2010, o dono do Hotel Emiliano, contratou o escritório do renomadíssimo arquiteto inglês Norman Foster, para elaborar o projeto de um hotel boutique em Paraty – mais precisamente na paradisíaca região de Paraty-Mirim, em meio à Mata Atlântica, a 17 quilômetros do centro histórico.

– É o nosso primeiro projeto no Brasil. O desenho ainda está sendo desenvolvido, mas é um resort sustentável, projetado para se relacionar com a paisagem natural e tirar vantagem da vista que contempla o lugar – disse Norman Foster na época.

O projeto elaborado por Foster previa a construção de uma edificação para abrigar 33 apartamentos e uma área comum batizada de beach club, com restaurante, bar, cinema, biblioteca e sala de jogos, além de 13 bangalôs separados. Numa segunda fase do projeto, poderiam ser construídos mais 22 bangalôs.

O layout do projeto previa um ambiente rústico, com madeiras brasileiras revestindo tetos, paredes e pisos.

O empreendimento com serviços exclusivos como o Hotel Emiliano de São Paulo tinha diárias previstas em torno de R$ 2.500,00.

Apesar das promessas do empresário e do arquiteto Norman Foster de que o projeto seria sustentável e ecológico, o empreendimento enredou em meandros da legislação ambiental e acabou empacando no papel.”

normanfoster

domingo, 26 de novembro de 2017

Ligações Modernas para Estruturas de Madeira

Por : Eng. Eric Karsh, M.Eng, P.Eng, StructEng, MIStructE
Tradução : Eng. Alan Dias do original em STRUCTUREMAG

Até o meio do século XIX, a madeira era comumente usada como um material de construção estrutural primário em muitos tipos de edifícios não residenciais ao redor do mundo. Muitas dessas estruturas construídas em madeira permanecem em pé e ainda estão em uso hoje, incluindo fábricas, armazéns, escolas, templos e igrejas - algumas datando até o século VII. Exemplos famosos incluem o Templo Horyu-ji de 106,6 pés (32,5 metros) de altura em Nara, Japão, o que demonstra a durabilidade e a força da construção com madeira.

Com a revolução industrial veio uma evolução significativa na tecnologia de aço e concreto, e esses materiais, popularizados pela construção de projetos revolucionários como a Torre Eiffel e novos "arranha-céus" na América, assumiram como materiais de escolha para grandes e importantes projetos.


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Escada do átrio em balanço no UBC Earth & Sciences Building. Cortesia de Martin Tessler.

Como resultado, a madeira foi mais ou menos designada para uso como material para estruturas menores. E com o desenvolvimento de uma construção de “light wood-frame” muito eficiente e versátil que monopolizaram o mercado residencial de baixa elevação na América do Norte, a madeira inicialmente quase perdeu grandes porções do mercado de construção não-residencial para o aço e o concreto.

Ao longo das últimas duas ou três décadas, no entanto, a engenharia e a construção em madeira experimentaram avanços significativos e transformadores, estabelecendo produtos de madeira para um retorno. Estes incluem novos produtos de madeira engenheirada, incluindo produtos de painéis sólidos, como madeira laminada cruzada (CLT), fabricação numérica de controle numérico (CNC), conectores de madeira versáteis de alta eficiência e progresso na engenharia de proteção contra incêndio. Com o progresso técnico e o aumento da demanda por produtos de madeira, vêm maiores oportunidades econômicas.

Hoje, o material de construção mais antigo, e o único cultivado naturalmente pelo sol, está se tornando cada vez mais de alta tecnologia e ainda possui um potencial de desenvolvimento considerável.

Este progresso técnico parece ter combinado com outras influências positivas para reposicionar a madeira no cenário mundial. Um interesse renovado na madeira como meio arquitetônico, combinado com fortes tendências em sustentabilidade, está promovendo o uso expandido da madeira em vários países, incluindo Canadá, EUA, Japão, Austrália e vários países da Europa. Encorajado por essas tendências, a madeira vêm lentamente, mas com segurança recuperando seu lugar como uma opção viável para a construção comercial em uma grande variedade de tipos de construção, incluindo aeroportos, museus, instalações universitárias e até mesmo arranha-céus.


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Conector HSK na escada do átrio completamente em balanço no UBC Earth & Sciences Building. Cortesia da Equilibrium Consulting.


Opções de conexão para madeira

A chave para a execução bem-sucedida de grandes estruturas de madeira é a disponibilidade de conectores econômicos, versáteis e confiáveis. Os diferentes sistemas de conexão de madeira disponíveis são comparáveis ​​às ferramentas individuais em uma caixa de ferramentas. Como um engenheiro que procura soluções inovadoras e elegantes, é preciso uma caixa de ferramentas com uma variedade de ferramentas confiáveis ​​e de alta qualidade. Alguns destes foram abordados anteriormente no artigo de ESTRUTURA de janeiro de 2007, “Novos conectores ocultos trazem mais opções para Estruturas de madeira”; no entanto, várias opções novas foram adicionadas desde então. A caixa de ferramentas norte-americana para conexões de madeira é o primeiro de quatro compartimentos principais: padrão através de parafusos, parafusos e pregos, rebites de madeira, chapas treliçadas e conectores metálicos de liga leve pré-projetados. Estes são todos os indutores prolongados de códigos locais e são bem conhecidos pela maioria. Isso não inclui anéis metálicos de estilo norte-americano e placas de cisalhamento, que são especificados com menos freqüência hoje.

No compartimento número dois, encontramos sistemas de conexão que não são explicitamente cobertos por códigos de construção, mas podem ser projetados dentro do escopo dos códigos usando os primeiros princípios. Estes incluem peças fundidas, chaves de corte, entalhes de madeira com madeira e entalhes de aço com madeira.

O terceiro compartimento inclui sistemas de conexão genéricos, que não são cobertos por códigos norte-americanos, mas são reconhecidos oficialmente em códigos estrangeiros respeitáveis, como o suíço, o alemão ou o Eurocode. Estes incluem parafusos de ajuste apertado e pinos e pregos de anel.

O compartimento final possui sistemas proprietários de última geração que são suportados por dados empíricos e geralmente por códigos e aprovações estrangeiros (europeus). Estes exigem revisão cuidadosa e, ocasionalmente, testes locais.

A Especificação Nacional de Design® (NDS®) para Construção em Madeira 10.1.1.3 afirma: "Disposições de projeto de conexão ... não devem impedir o uso de conexões onde é demonstrada por análise baseada em teoria geralmente reconhecida, testes de carga em grande escala ou protótipo, estudos de análogos de modelo ou experiência extensiva de uso que as conexões funcionem satisfatoriamente nos seus fins finais pretendidos." O padrão canadense inclui disposições similares.

Os sistemas patenteados que os engenheiros criaram, como o sistema BVD ou Bertsche desenvolvido pelo engenheiro alemão Peter Bertsche, o sistema SFS WS pelo SFS Intech, o sistema baseado em adesivo HBV e HSK pela TiComTec e desenvolvido pelo Dr. Leander Bathon, o sistema Sherpa ou Pitzl de encaixe com conexões de alumínio e, finalmente, mas não menos importante, os parafusos auto-roscantes, muito versáteis.

Os seguintes são vários tipos de conectores modernos, todos os quais a empresa dos autores usaram e continuam a usar. Os conectores norte-americanos são bem conhecidos pela maioria e não serão discutidos em detalhes aqui.


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Cavilhas inoxidáveis ​​apertadas e peças fundidas de aço no aeroporto Prince-George. Cortesia da MacFarlane Green Architecture (MGA).


Conexões de Pinos de madeira com madeira

Toda a família de conexões de pinos de madeira com madeira é uma maneira antiga de transferir cargas de cisalhamento e compressão em madeira. Eles costumavam ser feitos à mão e exigiam habilidade e tempo para fabricar. Eles caíram fora de uso ao longo do século passado, mas estão retornando com o uso de equipamentos CNC. O pino direto é muitas vezes a maneira mais eficiente de transferir cargas pesadas e de compressão em madeira e entalhes adequadamente projetados, usados ​​em combinação com parafusos auto-roscantes, podem ser uma solução de conexão muito econômica.

Onde os entalhes são necessários, eles devem ser projetados a partir dos primeiros princípios usando as fórmulas de pinos e cisalhamento da norma. Como uma questão de prática padrão, assegure-se de que a porção de cisalhamento longitudinal de uma conexão, particularmente no final de um membro, seja proporcionada para não ser o modo de falha primária, pois é quebradiço.


Engastes

Os moldes, geralmente feitos de aço de Ductaline, também são projetados a partir dos primeiros princípios. Eles oferecem uma maneira elegante e versátil de alcançar conexões de importância arquitetônica e podem ser relativamente econômicas em grande número. Sua desvantagem é que eles são suscetíveis ao fogo e não podem ser usados ​​em condições expostas em uma montagem avaliada.


Terminal 2 no aeroporto de Raleigh Durham com conexões de momento BVD. Cortesia de Brady Lambert.


Parafusos e Cavilhas justos

Os parafusos de ajuste apertado são parafusos essencialmente regulares instalados em furos de parafusos, tanto em madeira como em placas de aço de conexão, que são perfurados para tolerâncias muito mais apertadas. O requisito do Eurocode para parafusos de ajuste apertado é ter um orifício de parafuso que corresponda ao diâmetro do parafuso ou seja até 0,5 mm menor. O orifício do parafuso no aço deve ser inferior a 1,0 mm maior do que o diâmetro do parafuso. Os pinos de ajuste apertado, frequentemente utilizados para conexões expostas de alta qualidade, devem satisfazer os mesmos requisitos e, geralmente, consistem em um eixo de aço inoxidável com bordas ligeiramente chanfradas.

A vantagem de cavilhas ajustadas é que os conectores podem ser confiados para levar a carga essencialmente ao mesmo tempo, eliminando principalmente os efeitos de grupo. É necessário um alto grau de precisão, e a fabricação do CNC é quase sempre necessária para alcançar uma conexão de encaixe múltiplo de fixação múltipla, particularmente com placas de faca múltiplas.

Os pinos ajustados são a base de muitas conexões, algumas das quais são discutidas abaixo.


Anilhas

As anilhas são a versão europeia dos rebites de madeira. Brilhante e com uma cabeça redonda, eles parecem um pouco mais arrumados que os rebites de madeira. O código suíço fornece orientações específicas com base em dados empíricos para alcançar conexões dúcteis. Um sistema exclusivo de conexão de anilhas é chamado de prego Gunnebo da Suécia.


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Modelo 3D de uma conexão de momento BVD no aeroporto de Raleigh Durham. Cortesia da Equilibrium Consulting.


O sistema BVD da Bertsche

O sistema BVD é um conector patenteado, desenvolvido e vendido pelo engenheiro Peter Bertsche da Alemanha. O sistema consiste em uma inserção ranhurada, suspensa em forquilha, trancada no lugar, puxando os pinos apertados de 16 mm de diâmetro (0,63 polegada). A cavidade é soldada sólida com uma argamassa cimentícia de alto desempenho para assegurar uma transferência de carga completamente ajustada entre as cavilhas e a peça fundida. A inserção é roscada na extremidade e pode receber um parafuso fornecido com a inserção. As tolerâncias de alinhamento são tratadas usando uma lavadora esférica.

Os BVDs vêm em seis tamanhos, normalmente instalados na fábrica com 4 (BVD 1) a 24 pinos (BVD 6) e podem transportar uma carga de arrancamento especificada de 13 a 80 kips (60 a 360 kN) por âncora. A força e a confiabilidade do sistema são reforçadas pelas cavilhas que se cruzam, que ajudam a conter a fibra de madeira e resistem à força de separação. Cargas finais de 2,5 a 3 vezes as cargas especificadas são consistentemente alcançadas. O sistema é muito eficiente para conexões de alta tensão, para carregar cargas axiais diretas.

O sistema é completamente apertado e, portanto, pode ser usado em grupos sem preocupações com efeitos grupais. Também é escondido pela madeira e, portanto, resistente ao fogo.


O Sistema WS por SFS Intec

O WS System proprietário da companhia de fixação suíça SGB Intec, de bilhões de dólares, é composto por cavilhas autoperfurantes de pequeno diâmetro equipadas com uma ponta de broca projetada para o núcleo através de madeira e placas internas de aço de liga-leve de 3 a 5 mm. O pino é conduzido usando uma prensa hidráulica vendida pela empresa.

As vantagens do sistema são que não exige pré-perfuração, evita tolerâncias de fabricação e é completamente apertado. É dúctil, mas muito compacto devido ao pequeno diâmetro dos pinos (5 a 8 mm) e está escondido - tornando o sistema resistente ao fogo. O sistema é bastante eficiente e versátil, e pode ser usado em conexões de cisalhamento, axial ou momento.


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O conector HSK está testado para a escada do átrio totalmente em balanço no UBC Earth & Sciences Building. Cortesia dos produtos Structurlam.


Parafusos auto-roscantes

Os parafusos auto-roscantes são a versão da “era espacial” do parafuso norte-americano. Eles agora são vendidos na América do Norte por quatro grandes fornecedores: SFS, GRK, Wurth e Heco. Eles são o tipo de conector principal agora usado na construção de painéis de madeira maciça.

Os parafusos auto-roscantes são parafusos patenteados, de perfuração automática, feitos de aço de alta resistência (cerca de 115kg ou 800 MPa), e vêm em uma grande variedade de tamanhos de 5 a 12 mm de diâmetro e 3/16 a 5 mm. Comprimento de 3 a 23 polegadas (8 cm a 60 cm). O diâmetro refere-se ao diâmetro da rosca, e não ao eixo.

Existem três tipos principais de parafusos auto-roscantes. Os parafusos totalmente roscados são usados ​​para transferir grandes cargas de tensão nas conexões de madeira para madeira sem a necessidade de uma arruela. Os parafusos parcialmente roscados são utilizados para ancorar as placas de suporte de aço e também podem transferir o cisalhamento. Eles têm uma grande capacidade de aperto. Os parafusos de passo variável são usados ​​para puxar dois pedaços de madeira juntos e são freqüentemente usados ​​em conexões de borda a borda do painel de madeira sólida para alinhar os painéis e transferir o cisalhamento longitudinal.

Os parafusos auto-roscantes são extremamente versáteis, eficientes e confiáveis, uma vez que não requerem pré-perfuração. Eles eliminam o risco de que um carpinteiro inexperiente não possa perfurar e contornar um orifício de parafuso de atraso corretamente.


Conexões pré-engenheiradas de encaixes de alumínio

Os conectores de encaixes de alumínio são de alumínio pré-engenheirados, normalmente instalados na fábrica usando parafusos auto-roscantes, permitindo que os elementos de madeira sejam erguidos de forma muito rápida e precisa no local. Existem dois fornecedores principais para este tipo de conectores, ambos representados na América do Norte: Pitzl e Sherpa.

Os conectores vêm em uma variedade de tamanhos e capacidades. Eles são recuados e completamente escondidos pelo material de madeira, tornando a conexão completamente invisível e também resistente ao fogo.


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Conexão de encaixe pré-projetada e conexão composta de concreto de madeira HSK no UBC Earth & Sciences Building. Cortesia da Equilibrium Consulting.


O Conector HBV e HSK

Os conectores HBV e HSK foram desenvolvidos pelo engenheiro alemão Leander Bathon. O HBV é um conector usado para conectar sistemas de piso composto de madeira e concreto. Consiste em uma malha de aço expandida colada em uma fenda cortada na parte superior da madeira ou painel de madeira maciça usando um adesivo patenteado e lançado no concreto acima, conectando os dois com rigidez.

O sistema HSK é semelhante, mas é usado para conectar elementos de aço à madeira ou, ocasionalmente, conectar dois elementos de madeira juntos. Consiste em uma chapa de aço perfurada de 2,8 mm (aproximadamente 3/32 polegadas), soldada a uma peça de aço no caso de uma conexão de aço a madeira e colada em um rasgo no elemento de madeira, conectando rigidamente os dois membros.

O sistema HSK é dúctil, pois as peças de aço geralmente são projetadas para deformar antes que o adesivo ou a madeira falhem. Também pode ser completamente escondido e, portanto, resistente ao fogo.


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Escada do átrio em balanço no UBC Earth & Sciences Building. Cortesia de Martin Tessler.


Mercado em crescimento para aplicações de madeira

A indústria norte-americana de construção da madeira se transformou significativamente ao longo da história - e ainda mais rapidamente na última década. Na virada do século 20, o aço e o concreto substituíam amplamente a madeira na construção de edifícios comerciais. Um século depois, os avanços técnicos em técnicas de fabricação e engenharia de conexão, juntamente com um renovado interesse na madeira como material de construção ecológico, impulsaram um renovado interesse no material de construção. Os produtos de madeira estão sendo reexaminados para novas oportunidades, em uma gama mais ampla de tipos de construção e atingindo maiores alturas do que nunca.


Sobre o autor / Eric Karsh, M.Eng, P.Eng, StructEng, MIStructE, Ing
Eric Karsh, M.Eng, P.Eng, StructEng, MIStructE, Ing, é um dos fundadores da Equilibrium Consulting Inc., uma empresa de consultoria em engenharia estrutural localizada em Vancouver, BC. Eric criou uma série de inovadoras estruturas de madeira premiadas e é co-autor do relatório Tall Wood. Eric pode ser contactado em ekarsh@eqcanada.com.

Sobre o tradutor / Alan Dias, Engenheiro Civil Estrutural de Madeira, é um dos fundadores da Carpinteria Estruturas de Madeira, uma empresa de engenharia localizada em São Paulo, Brasil.

terça-feira, 4 de abril de 2017

#USEMADEIRA [2]–Madeira: O Material Sustentável do Futuro


Este é o segundo vídeo da serie #USEMADEIRA.
Uma parceria entre :
Carpinteria : www.carpinteria.com.br
Espero que curtam!
Eng. Alan Dias

quinta-feira, 16 de março de 2017

5 mitos sobre a Madeira Laminada Cruzada (CLT)

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Um especialista em CLT esclarece vários equívocos e mitos comuns em torno
do uso da madeira como material de construção – por Kris Spickler

A Madeira Laminada Cruzada (CLT) foi inicialmente desenvolvida na Europa como uma alternativa à construção de pedra, alvenaria e concreto. É essencialmente “compensados” de madeira feitas a partir de lâminas de madeiras menores coladas transversalmente. A CLT norte-americana é tipicamente instalada como painéis de três, cinco, sete e nove camadas de lâminas de madeira com medidas de 2”x6” (5x15cm) coladas entre elas.

Aqui na América do Norte, quando se vê essas placas de madeira pela primeira vez, se perguntam, "Por que diabos eu precisaria deste grande pedaço de madeira para construir?" Bem, existem vários equívocos e mitos comuns em torno do uso da madeira como um material de construção, especialmente estes novos painéis de “madeira de massa”, o CLT.

O primeiro mito que eu sempre ouço é: "Não vai cumprir o código!", depois, "É de madeira, ele vai queimar!". Meu favorito é: "Você está cortando todas as nossas grandes árvores!".

Um dos melhores recursos para esclarecer o tópico é o “US 2013 CLT Handbook”. A FPInnovations - em colaboração com o “American Wood Council” (AWC), o Laboratório de Produtos Florestais dos Estados Unidos (US), a APA e US WoodWorks - publicou um guia abrangente para fornecer informações técnicas para profissionais de construção, ilustrando aplicativos CLT adaptados aos códigos e padrões atuais . O manual aborda um número destes equívocos comuns sobre madeira e CLT.
 
MITO # 1 - "CLT NÃO ESTÁ NO CÓDIGO DE CONSTRUÇÃO."
Os painéis CLT têm um grande potencial para fornecer soluções de construção econômicas para edifícios residenciais, comerciais e institucionais, bem como grandes instalações industriais de acordo com o Código Internacional de Construção.
Em 2015, a CLT será incorporada no International Building Code (IBC). O IBC adotou recentemente a norma ANSI CLT Standard PRG 320 no IBC de 2015, para que você possa solicitar uma revisão de projeto com base nela agora e enviá-la como material alternativo, design e métodos (AMM ).

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MITO # 2 - "CLT É UM PRODUTO DE MADEIRA E, POR CONSEQUÊNCIA, FACILMENTE PEGA FOGO E CRIA UM INCÊNDIO."

É como usar toras de 12” de diâmetro pra iniciar uma fogueira de um acampamento, “madeira de massa” não pega fogo facilmente. Na verdade, CLT age mais como concreto. Madeira de massa não é convencional, por isso é muito difícil de dar a ignição inicial, e uma vez que está queimando, ele quer colocar-se fora (ver US CLT Manual capítulo 8, página 2).
Um projeto de pesquisa recentemente concluído na FPInnovations mostrou que os painéis CLT têm o potencial de fornecer excelente resistência ao fogo, muitas vezes comparável aos conjuntos de construção pesada típica de construção não-combustível. Os painéis CLT podem manter significativa capacidade estrutural por um longo período de tempo quando expostos ao fogo.
 
MITO # 3 - "VOCÊ TEM QUE TRAZER EM UM GRUPO ESPECIALIZADO PARA INSTALAR CLT."
Tenha em mente, CLT é apenas outra forma de madeira laminada colada (MLC/GLULAM). É apenas madeira, e se projeta e constrói numa tecnologia que já existe há algum tempo. Os painéis CLT, como outros painéis da indústria (concreto pré-moldado ou painéis SIP), proporcionam fácil manuseio durante a construção e um alto nível de facilidade de pré-fabricação e rápida conclusão do projeto.
Uma equipe de instalação de madeira convencional com outra experiência de painel pode levantar, ajustar e aparafusar painéis CLT, e com um plano de instalação fornecido pelo fabricante, ele vai ainda mais rápido (veja o Manual do US CLT Capítulo 12, p.1).

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MITO # 4 - "MADEIRA DE MASSA NÃO É BOA PARA O AMBIENTE PORQUE MUITAS ÁRVORES PRECISAM SER CORTADAS PARA CRIAR ESSE MATERIAL DE CONSTRUÇÃO."
A CLT é fabricada com madeira de 2”x6” (5x15cm) de árvores colhidas de florestas geridas de forma sustentável e, principalmente, árvores atacadas por insetos (Mountain Pine Beetle). Se não usá-las, elas caem, apodrecem e emitem carbono de volta para a atmosfera.
A madeira é também o único material estrutural primário que cresce naturalmente e é renovável. De fato, de acordo com "Silvicultura Sustentável na América do Norte", durante os últimos 50 anos, menos de 2% do estoque de árvores em pé nos EUA foi colhido a cada ano, enquanto o crescimento líquido de árvores foi de três por cento.
 
MITO # 5 - "CLT É CARO".
Ao considerar o valor total in-loco de um sistema CLT, ele é competitivo em termos de custo com outros materiais de construção de placas. Mas você também precisa considerar todos os benefícios de valor agregado:

• Mais economia pode ser encontrada no custo de instalação reduzido, geralmente 50% mais barato do que instalar outros materiais de placa.

• Com uma data anterior de conclusão do projeto, você está aberto para negócios, alguns meses antes do previsto.

• A estrutura do edifício pesará menos da metade do peso de outros tipos de construção, de modo que a fundação custa menos dinheiro.

• A segurança do local de trabalho é dramaticamente aumentada devido aos painéis CLT pré-fabricados e normalmente as únicas ferramentas eléctricas são brocas pneumáticas.

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A intenção da CLT não é substituir a construção de wood-frame, mas sim oferecer uma solução de madeira versátil, de baixa emissão de carbono e competitiva em termos de custo que complementa as opções existentes de estrutura leve e de madeira pesada, oferecendo um candidato adequado para algumas aplicações que atualmente utilizam concreto, alvenaria e aço.

Embora seja um sistema de construção relativamente novo de interesse na construção norte-americana, os benefícios falam por si. Para obter mais informações sobre a CLT, visite www.masstimber.com.

Sobre o autor :
Kris Spickler vive no norte da Califórnia e é especialista em madeira pesada da Structurlam Products Ltd. em Penticton, B.C., Canadá. Ele possui um Bacharelado em Engenharia Civil, com ênfase no design estrutural de madeira, da Universidade Estadual de Fresno, Califórnia. Como um engenheiro profissional licenciado Califórnia desde 1981, trabalhou na indústria de produtos de madeira projetada por 25 anos. Nos últimos dez anos, ele se concentrou em madeira serrada de engenharia usada no projeto de madeira pesada e madeira laminada cruzada.

Tradução Livre : Eng. Alan Dias

sábado, 11 de março de 2017

Pergolado de Madeira : Bondinho Pão de Açúcar

Assista ao vídeo sobre a construção do pergolado em Madeira Laminada Colada na entrada do Bondinho do Pão de Açúcar, que fizemos no ano passado! Clica no link abaixo:


Arquitetura : a+ arquitetura
Cálculo, projeto e Montagem : Carpintería Estruturas de Madeira
Video e Edição : Nem Tem Nome Ag.

Arquitetura indígena no Brasil

Texto original de : www.arquitetofala.blogspot.com

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Em frente a grande precariedade de dados históricos disponíveis, e a grande diversidade de culturas indígenas brasileiras, fica quase que impossível retratar cada uma delas em particular.

Sabemos que o Brasil sempre foi habitado por índios antes do descobrimento, e depois houve o contato com os jesuítas, com os colonizadores, os negros africanos, os bandeirantes, ao longo dos anos, caracterizando-se em uma rica fusão de culturas, exceto aquelas regiões mais distantes do litoral, aonde a ação colonizadora não penetrou, ainda prevalece uma forte influência tipicamente brasileira.

Mas por que "índio"? Só a título de lembrança ou curiosidade, quando os portugueses e jesuítas chegaram no Brasil, eles achavam que tinham chegado na Índia. Então, aos nativos que habitavam o litoral, foram classificados como "Tupi" (língua solta), e os nativos do interior como "Tapuia" (língua travada), dividiam-se em três grupos - Caraíbas (canibais do Amazonas), Aruaques (ilhotas do Amazonas próximas do Oceano Atlântico) e Jês (região central).

Voltando a arquitetura indígena...

Aldeia ou Taba


É formada por um conjunto de 04 a 10 ocas, aonde residem várias famílias indígenas (ascendentes e descendentes), podendo chegar à 400 pessoas.

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A forma mais comum presente nas habitações indígenas são as aldeias, também conhecidas por tabas. Tal solução arquitetônica, foi utilizada em grande escala pelos índios tupis, e índios guaranis do sul do Brasil.

Essas construções são distribuídas de forma ortogonal, de modo a formar uma grande praça central, na qual podem ser realizadas atividades cotidianas, festas, cerimônias e rituais sagrados. Cada uma dessas casas é denominada de "oguassu, maioca ou maloca (casa grande)", sendo dividida internamente pela estrutura do telhado em espaços quadrados de 6m x 6 metros, onde reside em cada uma delas, uma família. Este espaço é denominado oca (tupi) ou oga (guarani). O tamanho de cada casa, depende do tamanho da tribo, podendo chegar a mais de 200 metros de comprimento. Geralmente, não passavam de 150 metros de comprimento, por cerca de 12 metros de largura. Os indígenas eram sedentários. Quando uma casa ficava velha, e a cobertura em palha extremamente seca, era queimada e outra de igual formato era construída em seu lugar. A maneira de residir era muito controlada, respeitava-se ainda a vivência dos demais habitantes da casa, antes de tomar qualquer decisão.

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A casa era o lugar preferencial das mulheres. Ali elas exerciam suas atividades do lar, e no corredor central, próximo aos pilares que sustentam a cumeeira, preparavam o alimento da tribo. No final deste corredor havia uma entrada em cada extremidade da maloca, e no meio da casa, no lado que dava para o pátio, havia uma terceira. Esses acessos eram baixos, obrigando cada pessoa a se abaixar em sinal de respeito. Este tipo de oca circular, com a cumeeira apontada para cima, foi muito utilizada pelas tribos Jês e Xavantes. Toda construção é realizada pelos homens, as mulheres apenas socam o barro que irá ser assentado no chão.

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A tribo dos índios Carajás ocupavam as margens do rio Araguaia, e desenvolveram uma forma de aldeia ainda mais complexa. Construíam casas com estrutura reforçada, constituídas por 3 arcos paralelos, cada um formado por um par de pilares fincados no chão, e vigas para que possam ser amarradas, em suas extremidades, na cumeeira. Os carajás antigos já costumavam fazer suas casas no formato retangular.

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Já a tribo dos índios do Xingu (centro-oeste), constroem suas ocas fazendo referência ao corpo de um animal ou de um homem. A parte frontal da habitação determina que seja o peitoral, assim como os fundos sejam as costas. O chão representa a solidez da casa, aonde serão cravados os pilares de sustentação, e toda a sua estrutura. A ala íntima da casa, é diagramada pelos semi-círculos laterais, e são designados como  as "nádegas" da casa. A vedação com ripas de madeira e bambu, referem-se as costelas, e o revestimento das paredes seriam os pêlos ou cabelos, assim como a cumeeira faz referência a cabeça. O tipo de construção dos xinguanos se assemelha muito com a tribo dos índios Morubos, pois ambas  construções são antropomórficas, associando a construção a uma espécie de proteção xamânica.

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Yanomami

Os índios Yanomamis, ocupam a região norte do Amazonas, e constroem suas aldeias em formato circular, chamando-as de "shabonos". Seu dimensionamento é feito conforme o número de ocupantes que abriga, e normalmente reside apenas um grupo familiar em cada casa.

Possui um grande vão central, chegando a quase 15 metros, que é coberto por folhas de palmeiras, sobre a estrutura de galhos e varas. O homem cuida da construção em si, enquanto a mulher fica responsável para coletar os galhos, os cipos que servirão para amarração das estruturas, e as folhagens de bananeira para vedação.

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O que diferencia uma aldeia e outra entre as tribos indígenas brasileiras, é a condição climática, e a disponibilidade de materiais regionais, como elementos e detalhes construtivos. 

A maior parte das aldeias utilizava a amarração de cipós nas estruturas de madeira. Vejamos alguns tipos:

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Assim como utilizavam entalhes no madeiramento das estruturas para facilitar o encaixe das peças, e a amarração com os cipós:

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Herdamos alguns termos indígenas na arquitetura: biboca (casa pequena),  caiçara (palhoça),  capuaba (casa da roça),  copé (cabana de palha),  copiar (varanda), favela (casa miserável cujo significado indígena é urtiga), jirau (armação para guardar apetrechos, cama de varas), maloca (o mesmo que favela; e, em tupi quer dizer casa grande), oca (cabana ; em tupi significa casa), poperi (abrigo provisório), taba (aldeia indígena), tapiri (choça), tijupá  ou  tijupara  (cabana de índio), urupema (peneira; por extensão, ramado semelhante usado na vedação de portas, janelas e de forro). Quando os termos não são pejorativos, trata-se de construções que o colonizador adotou da cultura indígena: carijó, barbaquá: (instalações para produção de erva-mate); ou são de origem das culturas inca ou asteca (cancha, chácara, galpão, tambo). 

Uma das características das casas indígenas é sua construção integral com materiais vegetais. Isso tem levado alguns autores a identificar qualquer tipo de construção vegetal como sendo de influência indígena. É necessário ter muito cuidado para estas qualificações! Precisamos estar atentos para a natureza e a etnia das ocupações, para não nos confundirmos. D9459

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